
Dá-me as minhas palavras. Não dou. Dá-me as minhas mãos. Não dou. Dá-me as tuas. Pensar em silêncio entre a lama. Combustão interna de pensamentos. Não te vás embora. Tenho de ir.
Decidir. Verbo inatacável. O verbo que não devia ter passado – e a ter seria sempre imperfeito. Vem. O imperativo unicelular; como se o pensamento se desse em beijos soltos, e assim criasse uma mononocleose intelectual. Olá, tenho uma angina monolítica. Olá, eu sei quando é que vai ser o fim do mundo. Muito prazer.
As vezes sou um elemento externo. Como assim. As vezes sinto intensamente um mundo sem tempo, uma coisa sem propósito causal. Referes-te ao imperativo – a acção inconsequente. A ordem impede o pensamento. Então digo-te em imperativo lato: pensa. E eu penso então que o imperativo impede o pensamento. És circular. Olá, eu sou elíptico.
Ontem vi um morto. Era bonito. Deviam avisar antes. Porquê. Para ir à casa de banho. Sim, as vezes imagino-me dentro de um caixão cheio de mijo. Estou debaixo da terra e não tenho rede. És neurótico. Olá, eu desenho palavras.