Somos esses gestos pálidos segurando uma espécie de nada
Que conflui na expectativa da ausência;
Os gestos vertidos,
E os gestos sedosos,
Gestos sem intento, ou causa, ou expectativa.
Somos todos esses gestos amarrotados
Feitos do deslizar das mãos em basaltos mornos
Onde os corpos se estendem, infinitos.
Por vezes, é possível diagnosticar um sorriso,
Uma labareda latejando sobre esta espécie de asfixia
Que se forma em redor das bocas,
Como a lembrança súbita de um sonho inútil.
Somos gestos, esses gestos e apenas esses,
Insinuando-se por entre golfadas desorientadas
De ar estaladiço.
Um moroso trepidar de tempo em que
As mãos vagueiam estéreis sobre o cabelo molhado,
E os olhos se fecham, ínfimos.
Thursday, April 26, 2007
Wednesday, April 04, 2007
Luz despida de electrões

A estrada quente, deflagrando géisers de ar amarrotado,
A quentura impossível sobre os gestos adormecidos,
A estrada inteira, indefinida – uma luz abstracta, maternal.
Um esboço pardo de tempo sincronizando as mãos sobre a areia
Rouca,
Luz despida de electrões, confinante sobre a parede da boca,
As bocas dispersas povoando uma latitude avulsa – movediça como vinho
Decantado no barro.
Sentir o marulhar da fotossíntese em lábios
Tão inquietos como planetas despidos de matéria e divindades.
Aqui, como astros anões,
Acordando em tépida asfixia – alimentando-me desta morosidade que desagua
Da noite.
Mas logo os flocos de chuva morna orvalham e
Pode-se desatar a viver.
Desatar a viver como um eclipse apaixonado por um Sol,
Ou um Sol cercando uma planeta – mas ao ver-te,
Ver hipotéticos sorrisos adivinhando-se entre o sal da tua boca,
E a luz condensando-se pela pele como um reboco,
Ver-te assim – faz-me apenas querer não me mexer e ficar
Quieto sobre essa doçura demasiada óbvia.
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