Thursday, October 27, 2011

Sobre o Humor


The incongruity theory is the reigning theory of humor, since it seems to account for most cases of perceived funniness, which is partly because “incongruity” is something of an umbrella term. Most developments of the incongruity theory only try to list a necessary condition for humor—the perception of an incongruity—and they stop short of offering the sufficient conditions.

In the Rhetoric (III, 2), Aristotle presents the earliest glimmer of an incongruity theory of humor, finding that the best way to get an audience to laugh is to setup an expectation and deliver something “that gives a twist.” After discussing the power of metaphors to produce a surprise in the hearer, Aristotle says that “[t]he effect is produced even by jokes depending upon changes of the letters of a word; this too is a surprise. You find this in verse as well as in prose. The word which comes is not what the hearer imagined.” These remarks sound like a surprise theory of humor, similar to that later offered by René Descartes, but Aristotle continues to explain how the surprise must somehow “fit the facts,” or as we might put it today, the incongruity must be capable of a resolution.
In the Critique of Judgment, Immanuel Kant gives a clearer statement of the role of incongruity in humor: “In everything that is to excite a lively laugh there must be something absurd (in which the understanding, therefore, can find no satisfaction). Laughter is an affection arising from the sudden transformation of a strained expectation into nothing” (I, I, 54).

Arthur Schopenhauer offers a more specific version of the incongruity theory, arguing that humor arising from a failure of a concept to account for an object of thought. When the particular outstrips the general, we are faced with an incongruity. Schopenhauer also emphasizes the element of surprise, saying that “the greater and more unexpected [. . .] this incongruity is, the more violent will be his laughter” (1818, I, Sec. 13).

As statedby Kant and Schopenhauer, the incongruity theory of humor specifies a necessary condition of the object of humor. Focusing on the humorous object, leaves something out of the analysis of humor, since there are many kinds of things that are incongruous which do not produce amusement. A more robust statement of the incongruity theory would need to include the pleasurable response one has to humorous objects. John Morreall attempts to find sufficient conditions for identifying humor by focusing on our response. He defines humorous amusement as taking pleasure in a cognitive shift. The incongruity theory can be stated as a response focused theory, claiming that humor is a certain kind of reaction had to perceived incongruity.

Henri Bergson’s essay “Laughter” (1980) is perhaps the one of the most influential and sophisticated theories of humor. Bergson’s theory of humor is not easily classifiable, since it has elements of superiority and incongruity theories. In a famous phrase, Bergson argues that the source of humor is the “mechanical encrusted upon the living” (p. 84) According to Bergson “the comic does not exist outside of what is strictly human.” He thinks that humor involve an incongruous relationship between human intelligence and habitual or mechanical behaviors. As such, humor serves as a social corrective, helping people recognize behaviors that are inhospitable to human flourishing. A large source of the comic is in recognizing our superiority over the subhuman. Anything that threatens to reduce a person to an object—either animal or mechanical—is prime material for humor. No doubt, Bergson’s theory accounts for much of physical comedy and bodily humor, but he seems to over-estimate the necessity of mechanical encrustation. It is difficult to see how his theory can accommodate most jokes and sources of humor coming from wit.

Three major criticisms of the incongruity theory are that it is too broad to be very meaningful, it is insufficiently explanatory in that it does not distinguish between non-humorous incongruity and basic incongruity, and that revised versions still fail to explain why some things, rather than others, are funny. We have already addressed the third criticism: it confuses the object of humor with the response. What is at issue is the definition of humor, or how to identify humor, not how to create a humor-generating algorithm. The incongruity theorist has a response to this criticism as well, since they can claim that humor is pleasure in incongruity.



Tuesday, October 04, 2011

As 3 formas de nunca perder uma guerra desde as Cruzadas até Hiroshima


Existe uma curiosa circunstância na actividade bélica que se manteve imutável por mais de cinco séculos – na realidade até Oppenheimer reunir um grupo de cientistas em Los Álamos e aí formar o centro de pesquisa nuclear que iria criar a primeira bomba atómica. Citando o livro sagrado dos Hindus, o Bhagavad-Gita, Oppenheimer mais tarde terá dito, e eu tenho de repetir: “Now I am become Death, the destroyer of worlds.” Na realidade, apenas aqui esta verdade imutável sobre a guerra cessou de ser e sendo que essa era que a guerra apenas pode ser ganha, ou, no mínimo, combatida de forma a tornar a tornar a derrota quase impossível de três maneiras diferentes.


A primeira é através de um estado plenamente militarizado. Isto significa, é claro, o recrutamento militar obrigatório – mas não só. O recrutamento militar obrigatório foi pela primeira vez criado na Suécia no princípio do século XVII mas sem grande efeito como a Guerra com a Prússia o demonstrou quando a Paz de Nystad foi assinada.


O primeiro estado inteiramente militarizado foi, precisamente, o pequeno estado da Prússia como a Guerra dos Sete anos veio demonstrar de forma indubitável. Entre 1756 e 1763, A Prússia liderada por Frederico II, (que no curso dessa guerra lograria atingir ao epiteto de o Grande) e assistida em terra apenas pelo Eleitorado de Hanôver defrontou e, de uma forma ou de outra derrotou, pois manteve o satus quo ante bellum, a Rússia, França, Áustria e seus aliados do Sacro-Império Romano, Suécia e Espanha. “Not a country that has an army but an army that has a country, in which, as it were, it just billeted” – nas palavras do ajudante de campo do seu filho, Von Berenhorst. Na realidade, a Prussía era um estado com pouco mais de dois milhões de habitantes e com um exército de mais de duzentos mil homens. O rácio de homens para militares era de ¼, o que, se excluirmos crianças, idosas, doentes e claro, estropiados de guerra, torna a afirmação de Von Berenhorst numa realidade. Mas não era apenas esta organização no processo de recrutamento que fazia a Prussia prevalecer, ou pelo menos, não se quebrantar. Existia uma verdadeira cultura de militarização da sociedade. A nobreza apenas podia almejar privilégios ou terras caso participassem na guerra. E tal como Esparta, mais de 2000 anos antes, era nesse sentido que eram educados desde crianças. Frederico era, no seu próprio direito, um homem notável e muito à frente do seu tempo. Correspondia-se com Voltaire – com o qual partilhava uma certa tendência anti-eclesiástica – e proclamava-se com o primeiro servidor da nação. É extraordinário verificar como, em menos de um século o discurso absolutista dos Bourbons se havia tornado obsoleto: o estado era agora a nação, e o rei, um seu servo.

A segunda é através do poder económico; e aqui, nada terá sido mais determinante para França e Reino Unido durante a segunda guerra dos 100 anos do que a sua capacidade de financiar uma guerra prolongada. Aliás, quase que se pode argumentar que a própria Revolução Francesa foi resultado dessa tentativa desesperada de Louis XVI em competir com o príncipe eleitor da casa de Hanôver, o rei George III, pelo domínio terrestre na Europa, colonial na América e marítimo, por todo o mundo. Três anos após o fim da Guerra da Independência dos Estados Unidos, cerca de 50% das receitas francesas eram esgotadas pelo serviço de dívida. O país estava, por todas as definições possíveis na bancarrota. As vitórias de Lafayete, embora colocassem um fim às pretensões britânicas nos Estados Unidos não trouxeram nenhuma vantagem política com a excepção da reconquista de Granada e das ilhas Dominicanas pois o Canada continuou quase inteiramente na posse dos Britânicos. Os Britânicos pelo contrário encontravam-se muito aquém do seu limite, como as guerras napoleónicas o iriam comprovar, pois por essa mesma altura acumulavam um surplus de mais de 1 milhão de Libras. Como era possível tal discrepância?

A razão prende-se na forma como o sistema político organizou o seu sistema fiscal, e claro está, na mais importante instituição do Império Britânico: o Banco de Inglaterra. A colecta de impostos no Reino Unido era realizada por uma burocracia profissionalizada e provinha sobretudo de impostos indirectos (impostos directos representavam apenas 18% da colecta) sobre o consumo cobrados nos portos e às portas de fábricas – portanto invisíveis aos contribuintes pois encontravam-se incorporados no preço. Quando estas receitas não eram suficientes, o Banco de Inglaterra emitia Consolas (títulos de obrigação perpétua) que cobriam o deficit.

“The stability of the bank of England is equal to that of the Britsh government. It acts, not only as an ordinary bank, but as a Great engine of the state.” – na palavras de Adam Smith. Ora porquê que Necker (ministro Francês das Finanças da altura) não fazia o mesmo? Pela simples razão que não existia, nem existiria até Napoleão o criar 1808, um banco de França. Mas tal não teria sido suficiente. Os impostos em França eram cobrados, não por uma burocracia profissionalizada, mas por entidades privadas que realizam a colecta em troca de uma comissão. E eram sobretudos impostos directos (sobre a terra) cobrados, não aos nobres, mas directamente aos camponeses. O imposto indirecto mais significativo (a gabelle sobre o sal) não era uniforme. Variava de 5% a 25%, tornando o contrabando de sal entre regiões com taxas de imposto diferentes num negócio recorrente. Um pormenor significativo da aversão dos Franceses a um sistema fiscal justo, transparente e burocrático é a entrada da palavra Budget na Enciclopédie Méthodique: “Termo parlamentar Inglês”. Não existia orçamento, nem, claro está , parlamento, antes um Compte Rendu au Roi o que tornava impossível perceber o verdadeiro estado das finanças públicas até a situação se ter tornado insustentável – algo que nos é familiar a nós, Portugueses. Por essa altura, uma das formas de rendimento mais importantes para o estado era a venialidade. A venialidade assentava num pagamento anual para obter uma isenção, privilégio ou até um título de nobreza. Por altura da Revolução francesa, existiam mais de 70 mil portadores de venialidades em França, o que era um negócio ruinoso para o estado na medida em que as isenções em muito ultrapassavam os pagamentos. Mas era também uma questão de risco moral. “Noble status can only be gained by the sword, by bravery and outstanding service.” Assim terá respondido Frederico quando abordado no sentido de vender títulos de nobreza na recém conquistada Silésia para financiar a continuação da guerra. Assim ficava marcada a diferença de espírito entre França e Prússia.

Os exemplos futuros destas duas formas de ganhar uma guerra ficariam expressas na última grande guerra de todas: WW2. Aqui, e de novo, embora em lados opostos, o terceiro Reich assentou a sua força na imposição de um estado plenamente militarizado. Por essa altura, não se tratava contudo de uma questão de impor o serviço militar obrigatório: tal era já comum na Europa; mas sim de inculcar uma cultura bélica permanente desde a infância, um fanatismo metódico, uma lealdade sem limites.

Do outro lado, a mesma força económica assente, não só no Banco de Inglaterra, mas nos Estado Unidos. Durante a Grande Guerra (WWI), o Reino Unido quase perdera a guerra por uma combinação de incompetência militar e, sobretudo, inabilidade económica ao tentar financiar a guerra, não com dívida, mas com moeda. Na WW2 não cometeu o mesmo erro, não obstante tenha tido um acesso superior aos mercados americanos – agora plenamente do lado britânico após Pearl Harbour.

Existe ainda uma terceira forma de ganhar uma guerra, ou de, pelo menos, não a perder, e essa é a minha preferida pois é a mais evidente e a responsável pelos episódios mais dramáticos e sangrentos das Guerras Europeias desde o século XVIII e essa é possuir um território que se estenda por mais de 10 mil Km com temperaturas no Inverno que atinjam -50 graus. Essa terceira forma é muito simplesmente de ser um país chamado Rússia, essa nação nunca derrotada no seu solo que encontra nas dificuldades da sobrevivência do seu povo, a impossibilidade de vitória dos seus invasores. Aqui caíram Napoleão e Hitler de forma estrondosa. Napoleão perdeu 480 mil homens da sua Grande Armée, e Hitler bastante mais entre Stalingrad, Kursk e outras grandes batalhas contra o exercito vermelho.