
Não tínhamos culpa porque o dia se abria diante nós como uma goela súbita
E todos os pedaços de terra levitavam
A argila das sombras envolvendo as planícies de corpos
E todos os pedaços de mar explodiam
A espuma urdindo poros sobre as falésias despidas
E todos os pedaços fogo irrompiam
As chamas doces fulminando céus e galáxias gélidas
E todos os pedaços de amor se soltavam
Porque não tínhamos de culpa de sermos assim culpados
Assim sem dia ou noite, ou tempo algum,
Engolidos nesse embaraço breve de sermos eternos
Em cada amanhecer.
2 comments:
aroma,
a eternidade é algo bem mais interessante.
e tu sabes que sim.
beijo atranvacado em contas
Sans mots...abandonné...
Post a Comment