Wednesday, November 25, 2009

O fim no meio

Ao passo do So What, um So What ainda inserido em cassete e como tal com um som mais abafado, menos profundo, mas ainda assim aguçado e com notas altas. Um So what dos anos noventa que esquentava a estrada que era percorrida com pressa; a estrada percorrida de forma ávida com conversa avulsa servindo de pano de fundo ao som da radio-cassete. Esta ligeira inversão das causalidades ajustava-se bem a nós. Chegávamos sempre tarde, porque tinhamos saído sempre atrasados, e isso porque a noite anterior havia sempre sido demasiado prolongada. Uma sucessão de sempres que se desovava sobre a viagem. Passado algum tempo (o tempo necessário para um electrão se converter de cassete em byte), lembro-me das viagens, mas não as associo aos destinos. Daí a correspondente inversão de causalidade: as viagens pareciam conter um fim por si (que perdurou), e não servirem de meio para chegar a lado algum. O meio era portanto o fim.

E tal, creio,foi exactamente o que aconteceu a seguir.

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