
A realidade tropeçou e escancarou-se no espaço onírico. A memória que não existe senão em coligação com a dimensão onírica; a memória é recriação a partir de uma estrutura simbólica densamente aglomerada. Daí a memória ser sonho, e os sonhos, apesar de criados a partir do real, serem apenas memória. Sim; o sonho não existe. Existem apenas memórias de sonhos. Como aceitar que a memória represente em papel vegetal o que o real se materializou em sonho, se o próprio sonho é apenas escassamente inteligível à memória.
De outra forma: a memória existe sempre, como um registo magnético. No entanto, apenas algumas memórias são lembradas. Apenas algumas memórias se transformam em lembranças; é como o refluir ondulatório do espaço infra-vermelho até ao ultra-violeta. Só uma fracção desse espaço é inteligível. Tal como apenas alguns sonhos são lembrados, e outros são de imediato apagados.
Mas será que existem mesmo? Deles apenas existem lembranças – ou memórias potências – que por vezes causam desconfiança.
E no entanto é certo que a memória não existe de forma acessível em qualquer instante. Antes pelo contrário. Certas experiências encontram-se tão enterradas que apenas o pulsar excitatório de algum sentido (cheiro, sabor...), permite aceder a algo que, de outra forma, permaneceria inacessível.
É pois legítimo inquirir sobre a possibilidade de existirem outros elementos, tal como os sonhos, que apenas existam na forma de memória, ou que existam sem que tenhamos acesso a eles.
Sim, a questão é legítima. Que outros elementos que nos circundam possuem um representação em estado latente que apenas de forma indirecta indicam a verdadeira natureza do seu ser. Um raio ultra-violeta é caracterizado por um comprimento de onda e uma frequência; mas encontra-se no domínio do invisível. Ou seremos nós invisíveis para um grupo de protozoários que habita cores inimagináveis nesse especifico comprimento de onda?
Basta lembrar uma simples interrogação; o que é que surgiu primeiro: os sonhos ou a memória?
Caso os sonhos tenham surgido em primeiro lugar, é simples entender que permaneceram inacessíveis ao entendimento durante algum tempo. É sabido, por outro lado, que a capacidade de lembrança se formou preferencialmente através do reconhecimento de experiências, padrões, estímulos... A memória como uma teia de experiências acumuladas que geram por associação contentamento ou ansiedade. Esse reconhecimento é imediato em relação à aparência maternal, mais demorado no que se refere ao reconhecimento de uma ameaça. Ou seja, apenas recentemente, se adquiriu a capacidade de aceder de forma voluntária à memória em forma de lembrança; um acesso em forma de registo e não um alerta que é exibido no visor da consciência de forma a prevenir um perigo.
É plausível, para não dizer provável, que a habilidade de sonhar tenha surgido antes da capacidade de possuir a memória dos sonhos.
Repito: quantas outras coisas não existirão sob o manto de uma percepção (ainda) inacessível?
De outra forma: a memória existe sempre, como um registo magnético. No entanto, apenas algumas memórias são lembradas. Apenas algumas memórias se transformam em lembranças; é como o refluir ondulatório do espaço infra-vermelho até ao ultra-violeta. Só uma fracção desse espaço é inteligível. Tal como apenas alguns sonhos são lembrados, e outros são de imediato apagados.
Mas será que existem mesmo? Deles apenas existem lembranças – ou memórias potências – que por vezes causam desconfiança.
E no entanto é certo que a memória não existe de forma acessível em qualquer instante. Antes pelo contrário. Certas experiências encontram-se tão enterradas que apenas o pulsar excitatório de algum sentido (cheiro, sabor...), permite aceder a algo que, de outra forma, permaneceria inacessível.
É pois legítimo inquirir sobre a possibilidade de existirem outros elementos, tal como os sonhos, que apenas existam na forma de memória, ou que existam sem que tenhamos acesso a eles.
Sim, a questão é legítima. Que outros elementos que nos circundam possuem um representação em estado latente que apenas de forma indirecta indicam a verdadeira natureza do seu ser. Um raio ultra-violeta é caracterizado por um comprimento de onda e uma frequência; mas encontra-se no domínio do invisível. Ou seremos nós invisíveis para um grupo de protozoários que habita cores inimagináveis nesse especifico comprimento de onda?
Basta lembrar uma simples interrogação; o que é que surgiu primeiro: os sonhos ou a memória?
Caso os sonhos tenham surgido em primeiro lugar, é simples entender que permaneceram inacessíveis ao entendimento durante algum tempo. É sabido, por outro lado, que a capacidade de lembrança se formou preferencialmente através do reconhecimento de experiências, padrões, estímulos... A memória como uma teia de experiências acumuladas que geram por associação contentamento ou ansiedade. Esse reconhecimento é imediato em relação à aparência maternal, mais demorado no que se refere ao reconhecimento de uma ameaça. Ou seja, apenas recentemente, se adquiriu a capacidade de aceder de forma voluntária à memória em forma de lembrança; um acesso em forma de registo e não um alerta que é exibido no visor da consciência de forma a prevenir um perigo.
É plausível, para não dizer provável, que a habilidade de sonhar tenha surgido antes da capacidade de possuir a memória dos sonhos.
Repito: quantas outras coisas não existirão sob o manto de uma percepção (ainda) inacessível?
5 comments:
blogosofia... bom tema para reflexão. Gostei mais uma vez da forma como escreves.
parece que tens um fã incondicional da tua escrita (com nome de ave)!
Explica-me essa tua vontade de complicar a simplicidade dos sentimentos.Para ti não basta vivê-los?
Se calhar não os vives a cem por cento, algo que não se cumpre.(e daí essa tua necessidade...)
Gosto da tua melodia, não deste ensaio particularmente, mas gostei do outros textos, especialmente frisson.
Talvez vivamos um dia.talvez te venha a ensinar a sentir de uma forma absoluta, ou talvez continue a ler textos teus, passivamente.
Mas não irei esquecer o teu nome/heterónimo(de certeza)
Até qualquer dia Paricidio.
Sim, de facto gosto da forma como escreves. Mas a pergunta feita pela riquiquita tem toda a pertinência e é algo que já te perguntei inúmeras vezes...
Vive mais intensamente e não fujas. Vai atrás do que te faz feliz. Vai atrás da felicidade! Ela, de certeza, que não é exclusivamente 1 figura do mundo dos sonhos! É bem real... Procura-a.
Obrigado por Blog intiresny
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