Wednesday, May 31, 2006

As peles não criam electricidade


As mãos dadas e os segredos guardados na cómoda.
O silêncio pesando como um abraço granítico.

Tenho um universo morto na minha garganta; engulo cores e diapositivos de placentas.
E aglomero léxicos desprevenidos com a saliva espessa.
Algumas coisas gravitam e outras são estáticas.
Algumas rodam e outras estão fixas.

Algumas coisas estão simplesmente feitas para nunca se encontrarem; é a distância que as cria – não o contacto.
Entre elas um murmúrio musical como a catedral engolida.

Mesmo de mãos dadas, as peles não criam electricidade.

1 comment:

Maria said...

E mesmo assim, por vezes, é impossível não sentir uma espécie de descarga eléctrica que nos acelera a pulsação quando "aquela" pele toca a nossa...