A noite por cá é percorrida por uma sumptuosa gritaria de aves entre a floresta virgem. Tens estado uma lua cheia que ilumina uma noite nunca silenciosa; a floresta ondula sob o planalto do luar e a noite densa de arrepios emerge. E depois surge um silêncio fátuo que adormece em sossego.
Quase que sinto as bolhas de ar do tempo a dissolverem-se como um alka-setzer; mais parece uma sinfonia de grilos indispostos.
Á frente da praia há uma montanha mascarada de nuvens que apenas deixam percepcionar a base e o topo. O cume parece o de um vulcão imponente, um ancião adormecido na sua colcha de fosfato. Mas são montanhas mortas estas; cumes desgastados pela crepitação do tempo. O tempo dissolvendo-se como um alka-setzer.
A areia é falsa. Não é de cá. Montanhas com floresta virgem e areia junto ao oceano é um acaso geológico. As árvores não crescem em rocha, e a areia não vem da terra. Acho que prefiro a Cordoama.
Não que aprecie a aridez, mas esta incandescência de vegetação, verde a crescer do mais infímo micro-poro de terra ou de rocha, esta abundância de vida... Confesso que me é um pouco aflitiva por alguma intíma razão que desconheço.
1 comment:
Já há muito tempo que aqui não vinha, mas estou a ver que a qualidade continua muito boa :)
Post a Comment