
Os jacarandás já floriram; aquela espumosa massa violeta topázio cobre agora as hastes metálicas da árvore; foi de repente, como se de uma plumagem caída do céu se tratasse – e uma semana antes do habitual.
O jacarandá é celeste e imponente, e não se trata propriamente de uma árvore. É uma sentinela adormecida que renasce num dia qualquer de Junho ou Maio, com vestes encardidas de eternidade – uma eternidade que dura uma paixão intravenosa, daquelas que se extingue quando a pele dos amantes se enrodilha com a saliva expulsa.
Não é uma árvore, mas Prometeu renascido para ser lavrado pela águia do Cáucaso, e depois murchar um azul rouco sobre o alcatrão. Entre jacarandás, o tempo escorre como alfinetes expulsos pela eternidade atordoada.
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e assim, num piscar de olhos, Prometeu desvanece; agora, tudo o que resta é o azul rouco sobre o alcatrão, despojos da beleza que dói.
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