Mãos abertas, vidros manchados. O cheiro à tinta agora colocada e a noite que amorna a pele sugada ao tempo. Houvesse nesse tempo matéria tão mais suave que o desta voz que sara a alma fria; mãos abertas e quentes, vidros manchados e baços. Somos rascunhos inacabados de um nada permanente. Matéria de geometria rectilínea que alimenta todos os gestos incertos. Mãos abertas, esfoladas sobre o feltro do vidro. O cabelo quente; o cabelo mais quente que aniquila a miopia toda. Houvesse mais miopia e assim sentisse mais calor pelo cabelo todo. As mãos manchadas sobre o vidro.
Friday, March 09, 2007
As mãos e os vidros
Mãos abertas, vidros manchados. O cheiro à tinta agora colocada e a noite que amorna a pele sugada ao tempo. Houvesse nesse tempo matéria tão mais suave que o desta voz que sara a alma fria; mãos abertas e quentes, vidros manchados e baços. Somos rascunhos inacabados de um nada permanente. Matéria de geometria rectilínea que alimenta todos os gestos incertos. Mãos abertas, esfoladas sobre o feltro do vidro. O cabelo quente; o cabelo mais quente que aniquila a miopia toda. Houvesse mais miopia e assim sentisse mais calor pelo cabelo todo. As mãos manchadas sobre o vidro.
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2 comments:
É quente e fria, a forma que dás às palavras; e sublime, o modo como suspendes o nada pelos vértices.
Great work.
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