
A estrada quente, deflagrando géisers de ar amarrotado,
A quentura impossível sobre os gestos adormecidos,
A estrada inteira, indefinida – uma luz abstracta, maternal.
Um esboço pardo de tempo sincronizando as mãos sobre a areia
Rouca,
Luz despida de electrões, confinante sobre a parede da boca,
As bocas dispersas povoando uma latitude avulsa – movediça como vinho
Decantado no barro.
Sentir o marulhar da fotossíntese em lábios
Tão inquietos como planetas despidos de matéria e divindades.
Aqui, como astros anões,
Acordando em tépida asfixia – alimentando-me desta morosidade que desagua
Da noite.
Mas logo os flocos de chuva morna orvalham e
Pode-se desatar a viver.
Desatar a viver como um eclipse apaixonado por um Sol,
Ou um Sol cercando uma planeta – mas ao ver-te,
Ver hipotéticos sorrisos adivinhando-se entre o sal da tua boca,
E a luz condensando-se pela pele como um reboco,
Ver-te assim – faz-me apenas querer não me mexer e ficar
Quieto sobre essa doçura demasiada óbvia.
3 comments:
és tu ou o autor? ou ambos?
É o autor. Mas tenho pouca imaginação para pseudóminos.
Nomear todas as personagens que somos (mesmo aquelas que surgem nos breves ou longos instantes da escrita) parece-me um trabalho demasiado exaustivo, para o qual a imaginação será sempre pouca.
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